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sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Velhice





A minha relação para com a velhice é ainda longínqua, mas é precisamente isso que me incita, isto é, o futuro em si, aquela fatídica questão: como serei quando velho?


Inquietamente, por vezes me encontro analisando os envelhecidos, e atento, reparo desde os seus trejeitos até os seus correspondentes modos de pensar mais comuns. Infelizmente, às vezes me decepciono porque vejo pessoas que envelheceram e junto com isso, elas simplesmente pararam no tempo, esses são os piores velhos, ou seja, as pessoas que ficam velhas e deixam de "atualizarem-se" quanto às transformações, que por sua vez, são inerentes à vida, isto é, o mau e velho preconceito é uma estagnação mental. É preferível morrer jovem à ser um velho preconceituoso pelos restos de seus anos de vida. 


Enfim, é óbvio que cada pessoa tem a sua personalidade, e não tenho o direito de prejulgar todos os idosos com base somente em algumas experiências que testemunho, mas eu ainda posso imaginar que velho eu não quero ser, ou melhor, se eu chegar a velhice, eu sei que quero estar tão vivo quanto estou hoje.


Daí a razão pela qual se torna tão interessante escrever ou discutir sobre esta "velhice", enquanto ainda somos jovens, e que a princípio estamos todos destinados vivê-la, seja por pouco ou muito tempo.


É bem verdade que cada etapa da vida requer o seu desgaste, tanto físico como mental, porém quando jovem me parece que esse desgaste é quase que insignificante, bastando apenas uma noite para que se recupere, sendo que o mesmo para o sujeito com mais idade, representa maior encargo.


Com certeza, um dos maiores desafios com que o idoso se depara é o sofrimento físico, seja pelas dores que à esta altura são mais evidentes, ou mesmo pela estética, onde as rugas são mais evidentes. E em casos mais graves, desencadeiam-se os surgimentos de doenças.


Eu não combino com o velho sentado à cadeira de balanço, que descansa durante o dia para no período noturno descansar novamente. Muito menos com o velho chato, que de tão ranzinza que é, ninguém aguenta!


Se for pra ser um idoso desses, eu prefiro não chegar lá. É como mesmo disse; eu quero ser um velho vívido, embora eu tenha absoluta consciência de que perderei e ganharei algumas coisas de acordo com o avanço da idade, tais como: velocidade de raciocínio, lapso de memória e etc. Porém, eu só me considerarei e terei vontade de viver enquanto eu me der por gente, ou seja, puder decidir por mim mesmo, pois com isso terei poder suficiente para tomar decisões das mais simples até as mais complexas.


Quando se fala em velhice, também é interessante fazer menção à relação que equivocadamente pensam existir quanto ao número de anos vividos como algo positivo no que diz respeito à vida como o seu intrínseco objetivo, quero dizer, não importa a quantidade de anos vividos, mas sim como é que eles são aproveitados.


Enfim, é isso, eu não me importo até que idade viverei, desde que cada ano, mês, semana, ou dia de vida seja marcante.

10 comentários:

  1. Hey man, vc abordou de forma interessante aquilo que a maioria das pessoas (ao meu ver)evita sequer pensar; justamente por ser uma coisa aquém do presente e por isso, aparentemente longe demais... Também concordo que não importa a quantidade de invernos passados, mas sim a forma com que são vivenciados...

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  2. Oi Anselmo, atualmente trabalho num hotel de idosos e reflito: como serão os 'novos velhos' rs.Como os jovens tem vivido para continuar 'vivos'...em novidade de vida na velhice?

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  3. Oi Anselmo, há alguns dias eu escrevi sobre essa questão de velhice. É interessante vermos como as pessoas encaram-na!

    Já vi muito idoso com a cabeça jovem, com vontade de viver e muito jovem que pensa como um velho ranzinza. Sou a favor de vivermos a vida, sem nos preocuparmos com essa "linha cronológica"!

    bjks JoicySorciere => Blog Umas e outras...

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  4. Oi Anselmo,

    No meu entender, saber escolher os temas é a primeira condição para tornar um blog interessante, e isso você faz muito bem. E é muito animador ver um jovem se dispor a refletir sobre a velhice, pois, geralmente, não passa pela cabeça dos jovens a ideia de que envelhecerão. É o mito da eterna juventude. Mito que, segundo a opinião de um médico publicada em um artigo que li há muitos anos, precisa ser derrubado, pois é o principal responsável pelos problemas a serem enfrentados na velhice. Segundo tal médico, um dos maiores equívocos da juventude é imaginar que a vida seja uma corrida de cem metros, quando na verdade ela é uma maratona. Acho perfeita esta metáfora!

    Segundo Sócrates (conforme escrito por Platão) velhice e doença não são a mesma coisa, pois é possível envelhecer com saúde, desde que se viva corretamente. Portanto, hoje creio que quem vive corretamente, e consegue compreender o que seja a vida, envelhece sem graves problemas de saúde, com paz de espírito, e parte desta vida em paz consigo mesmo e com todos com quem conviveu.

    O futuro se constrói no presente; e as condições em que viveremos a velhice se constroem na juventude. Portanto são perfeitas as suas palavras: “Daí a razão pela qual se torna tão interessante escrever ou discutir sobre esta "velhice", enquanto ainda somos jovens, e que a princípio estamos todos destinados vivê-la, seja por pouco ou muito tempo.” Agindo assim você tornará possível ter uma velhice diferente daquelas que cita em sua ótima postagem.

    Concordo com você quando diz que ”não importa a quantidade de anos vividos, mas sim como eles são aproveitados.” Como alguém já disse, “O importante é acrescentar vida aos anos, e não anos a vida”. E ainda dentro desta ideia, veja o que diz um texto que copiei de um cartão de aniversário:

    “A Vida não pode ser contada em velas, mas sim pelos sonhos perseguidos corajosamente e esperanças mantidas vivas.

    A Vida não pode ser medida em anos que se passaram, ela é contada pelas amizades, pelas alegrias, pessoas amadas e todas as pequenas bençãos que recebemos a cada dia.”

    Você inicia sua postagem dizendo que “A sua relação com a velhice ainda é longínqua, mas é precisamente isso que o incita, isto é, o futuro em si, aquela fatídica questão: como será quando for velho?”

    Eu termino esta exegese dizendo: Creio que se você mantiver essa incitação, e provocado por ela, continuar refletindo sobre suas atitudes enquanto a velhice ainda é longínqua, quando ela chegar o encontrará preparado para vivê-la de uma maneira bem diferente daquela como a imensa maioria dos “envelhecidos que você analisa” a ela sobrevive (ou seria subvive?).

    Abraços,
    Guedes

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  5. Oi querido,

    Tudo bem? Outro texto reflexivo e inteligente! Hoje aos quarenta anos já passo perto dessa senhora chamada velhice. Concordo com você também sobre o estágio da alma, mas ela virá mansinha e de repente será a nossa morada.

    Beijos e boa páscoa. Obrigada pelo lindo comentário lá no meu mundinho.

    Lu

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  6. Sua visão de como será velho é bem otimista e concordo com você. Do que adianta viver vários anos se tudo que se faz é reclamar e descansar?
    Eu escrevi recentemente sobre essa questão de ser mais autônomo estando idoso, e olha que eu também estou bem longe de chegar lá, mas sem dúvidas refletir sobre esse lado e futuro é muito rico para o nosso crescimento pessoal.

    Até breve

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  7. Boa noite, Anselmo.
    Acho que você colocou o essencial aí no texto: não deixarmos de nos atualizarmos com a realidade sempre.
    No momento que paramos d fazer isso e começarmos a falar "mas no meu tempo" aí lascou-se de vez.
    Se bem que, hoje em dia, alguém com 60 anos de idade não aceita ser taxada de "velha".
    Em resumo, a velhice está hoje mais relativa do que nunca.
    Abraço, Anselmo.

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  8. Acho que é a primeira vez que venho ao teu blog...Se for, que pena não ter vindo antes, pois as postagens são inteligentes e interessantes.

    Legal ver um jovem escrevendo sobre a velhice, de forma tão lúcida e sem preconceitos.

    Penso que o problema das pessoas que chegam à velhice sem se "atualizarem" não é um problema da velhice em si mesma. Esse comportamento tem suas raízes lá atrás, na juventude do ser, na sua postura diante da vida, na resistência às mudanças e naturais transformações por quais passam o mundo e as pessoas.
    A grande problemática é que muitas pessoas caminham dentro de um processo com a visão de que não precisam aprender mais nada, se torna refratária, impermeável.
    Vivem dizendo pros outros e pra si mesmas: "estou fora do contexto"..."Nâo tenho mais pique"..."Não acompanho mais os jovens "...estou caminhando para o fim"...etc....etc... Se elas se vêem dessa forma, como elas querem que os outros as veem? Assim, quando chegam a velhice propriamente dita, o impulso pra se "atualizarem", é ZERO!

    Bom vir aqui refletir com você , Anselmo!

    Grande abraço, de uma senhora nos seus 58 anos de idade! rsss...

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  9. Não estou assim tão idosa pra esquecer, mas eu faço até parte do teu grupo de seguidores. Como pude esquecer?

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  10. Anselmo,
    Realmente a idade cronológica nao é patamar para saber em que grau de maturidade e vivência que a pessoa tem. Há velhos jovens e jovens velhos.
    Eu estou mais pra lá que pra cá e ainda me sinto uma "quase criança". As pessoas as vezes riem quando digo isso, mas eu tenho sonhos de adolescentes, tenho manha de criança e tenho idéias lógicas de mulher.
    Tenho tentado ganhar bagagem nessa minha jornada, para chegar ao fim da linha com algo proveitoso, menos amarga e mais segura de que a vida valeu a pena.
    Boa reflexão!
    Beijokas doces

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Não sou o "dono da verdade", portanto, estarei sempre disposto a ouvi-lo(a)...