Só falta você!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Talento não existe!



É verdade, essa história de talento é ilusória, e o prejudicado disso é você que ainda acredita neste senso comum.


Ao consultarmos a palavra "talento" no dicionário, sucintamente verificamos que há dois significados para o termo, isto é, o que chamam de "natural" e "adquirido", logo compreende-se que existem dois tipos de talentos, aquele conforme supracitado é genuíno, ou seja, já nasce com o indivíduo que, por sua vez, este é precisamente o mito que a maior parte das pessoas confiam existir, em contrapartida há também o que se pode adquirir, ou seja, aquele que vem com treinamento árduo e constante. 


Perante os dois lados do significado, eu afirmo veementemente que só existe um lado legítimo, o "talento adquirido" assim digamos. Porém alguns, exatamente a parcela dos indivíduos que teimam em acreditar que o talento é uma aptidão genética, obviamente que irão discordar, mas eu posso provar que ele de fato não existe, veja: Se você acredita mesmo que nós nascemos com um determinado "dom", o que você me diz das pessoas que treinam incansavelmente os seus respectivos ofícios, como aquele atleta que você pensa ter nascido com o dito cujo, ou como o músico que toca e interpreta de modo exímio, ou como o escritor que escreve maravilhosamente bem, ou ainda como o cirurgião que opera com destreza perfeita. Enfim, para todos estes exemplos e quaisquer outros que forem pensáveis, você chegará a um denominador comum, que é: não é possível ser excelente em nada se você não praticar muito, bastante muito e muito mais. Contudo, por que razão treinariam incessantemente os que são melhores naquilo que fazem se eles já nasceram com o dom? Pois se realmente tivessem um dom, eles não precisariam de prática certo? 


Entretanto, os mais apegados podem ainda replicar que um sujeito nasce com um dom, mas ele necessitada de ser aprimorado, e isso se daria através do treinamento que tanto valorizei,  logo eu treplico que como você pode explicar que alguém possa nascer preparado para uma determinada profissão sendo que as profissões criam-se e extinguem-se a cada dia? Deixe-me exemplificar: Supondo que o dom realmente exista, vamos imaginar por exemplo um indivíduo que nasça com talento para a informática, agora imagine que este indivíduo nasceu há mil anos atrás, época da qual sequer existia um protótipo de lâmpada incandescente. Logo, qual seria a utilidade deste "dom" se o indivíduo não tinha a menor chance de usá-lo? Além disso, nem precisamos ir tão longe dessa maneira, pois se citássemos o início do século XX daria no mesmo, haja vista que não havia computador. E para as pessoas que ainda persistirem a indagarem quanto aos sujeitos que sem base nenhuma conseguem ser muito bons em algo, digo que isso é tão inexplicável quanto a sorte, portanto se uma pessoa que mesmo numa experiência inédita pra ela, desempenha bem uma tarefa, não significa que ela nasceu predestinada a executar aquela ocupação, mas que somente teve sorte, a isso podemos chamar de uma forma bem trivial; a "sorte de principiante". E pra refutar de vez a teoria do dom, acrescento que quanto a diferenciação que há entre as capacidades das pessoas, isso reside na autoconfiança que cada um imprime a si, ou seja, quanto maior for sua autoconfiança, mais alta será sua competência.


Em suma, como não gosto de alongar minhas postagens, então utilizarei da brevidade que por sinal dá nome à este blog, para passar a mensagem que talvez seja a mais importante da crônica, quero dizer: é de suma importância conscientizar-se de que o talento é uma questão meramente psicológica, onde cada um se limita a possibilidade de desenvolver sua capacidade por não acreditar em si próprio, isto é, não acreditar que tem talento para tal. E isso representa o maior empecilho que pode existir na vida das pessoas, o não acreditar suficientemente que embora não tenha hoje, mas que com muita dedicação possa vir a ter capacidade plena para desempenhar excelentemente bem qualquer função.


Finalmente, eu entendo que as pessoas que não acreditam ter competência usando o mito do "talento" para justificarem-se, são na verdade as maiores vítimas, onde eliminam-se brutalmente a si mesmas só porque pensam que não nasceram para isso ou aquilo, e isso é triste. Eu só fico imaginando as dimensões do desperdício de gentes que por não creem em si próprias acabam mascarando suas qualidades. Todos podem ser o que quiserem ser.


E para completar o caráter revelador deste texto, eu gostaria de deixar com a maior clareza que o talento está associado ao que é popularmente chamado de "artista", ou seja, os sujeitos que autodenominam-se artistas gostam de enfatizar o "dom", mas nessas falácias eu percebo uma temerosidade, pois melhor do que ninguém eles sabem que o talento é uma bobagem total, já que eles treinam absurdamente os seus ofícios e estão conscientes de que se pararem de praticar por um comenos, perderam o seu posto. Ademais, saliento que estes mesmos indivíduos que enchem a boca para proferirem com todas as letras: "Eu sou artista", na realidade receiam que os demais descubram esta verdade e passem a peitá-los de igual para igual e não como quem crê na teoria do talento que, por sua vez, rebaixa-se para o "artista" como se este fosse um ser inalcançável.

12 comentários:

  1. Oi querido,

    Tudo bem? O texto como sempre revelador e instigante. Creio que o sucesso é parte do talento em concordância com o esforço. Penso que a sorte as vezes faz a parte dela, mas Mozart, Einstein, entre outros, foram dedicados a sua arte. Todavia, penso que alguns já nascem com uma maior aptidão para a arte, música, idiomas, pintura e aprimoram com o exercício.

    Beijos e boa quinta lindão!

    Lu

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  2. Anselmo, pensamos muito parecido nessa questão... vi que vc falou sobre o dom, ao final de sua postagem. Eu tbem não acredito em dons. Bom, eu acredito que o ser humano se constitui socialmente. É um tema polêmico, esse... rrsrsrs

    bjks :) JoicySorciere => CLIQUE => Blog Umas e outras...

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  3. Olá Anselmo!

    Não tenho encontrado tempo para fazer exegeses sobre suas interessantes postagens, mas para esta, felizmente, eu consegui.

    Depois de muito pesquisar o fenômeno psíquico em geral e, em particular, a mediunidade da Sra. Leonora Piper, William James, genial psicólogo e filósofo americano, declarou o seguinte: “Se você deseja invalidar a lei de que todos os corvos são negros, não deve procurar demonstrar que não existem corvos negros: basta exibir um corvo branco. Meu corvo branco é a Sra Piper”.

    Mutatis mutandis, “Se você deseja discordar da opinião de que todos os talentos são desenvolvidos durante a vida, não deve procurar demonstrar que não existem talentos desenvolvidos durante a vida: basta exibir um talento nato. Meu talento nato é Wolfgang Amadeus Mozart que compunha aos cinco anos”. E se quisermos um mais recente, pode ser Elton John que tocava piano aos três anos.

    Há quem nasce com um determinado talento e há quem desenvolva esse talento durante a vida. Existem os dois casos. Havia, na minha turma na faculdade, dois alunos que costumavam tirar as melhores notas. Um deles - o que tirava as maiores - era um aluno que aprendia tudo apenas assistindo as aulas, interagia com os demais alunos e freqüentava os espaços onde se poderia espairecer um pouco através de jogos. O outro assistia às aulas, mas não tinha tempo para interagir com ninguém, pois vivia unicamente para estudar e “disputar” a maior nota da turma. Um tinha um talento nato que lhe possibilitava aprender facilmente o que era ensinado nas aulas, o outro estava desenvolvendo seu talento através do seu esforço.

    Quem acredita em reencarnação crê que na existência de talentos natos. Talentos são sempre desenvolvidos através de esforços feitos durante a vida. A diferença é que enquanto uns estão desenvolvendo um determinado talento nesta vida, outros já o fizeram em vidas anteriores. Estes são os chamados talentos natos.

    Sim, conforme você diz em sua postagem, “Todos podem ser o que quiserem ser”. A diferença fica por conta da intensidade dos esforços. Os que tiverem talentos natos precisarão de esforços menores. Bem, esta é a minha opinião.

    Abraços,
    Guedes

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    1. Boa Guedes!

      E mesmo sem recorrer às questões de reencarnação (como budista, sou reencarnacionista), encontramos ampla literatura sobre as chamadas "inteligências múltiplas"!

      Para mim, a questão é muito menos filosófica ou espiritual! É, praticamente, semântica! Substituamos a gravidade dos termos "talento" e "dom" pela simplicidade do termo "inclinação"! Ora, sou eu inclinado à introspecção e reflexão! Será isto um talento? Sou totalmente incapaz de assimilar as regras e estratégias do Truco! Faltou-me um dom? Houve quem tenha reduzido o ser humano à uma construção social! Como ficam os filhos de um mesmo casal que, criados exatamente da mesma forma, no mesmo meio e com os mesmo valores, desenvolvem personalidades completamente opostas?

      No fim, concordo com todos os envolvidos nesta discussão quando dizem que "este é um assunto polêmico!"

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    2. Olá Guedes, muito interessante o que falou, mormente a menção que fez a declaração do corvo branco, muito maneiro.

      Enfim, seria redundante eu tentar fomentar minhas ideias acerca do "dom", visto que já as expus claramente no texto, porém gostaria de fazer um adendo quanto ao que citou sobre Elton John. À isso digo que se ele tocava piano desde os três anos de idade é porque deram um piano à ele quando ele tinha três anos, ou seja, é tudo relativo, o mesmo funcionaria se tivessem dado à ele um violão, ou um ábaco, ou um caderno de desenho, enfim...

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    3. Ao que disse o Marcelo, digo que não acredito em "inclinação" como falas, mas sim em preferência, quer dizer: somos bons naquilo em que temos gostamos, em todas as coisas que preferimos. Bem, e no seu caso me parece que você não aprecia nem um pouco o jogo de truco, ao contrário da filosofia, mas isso não prova que você nasceu com a predileção para a filosofia, é somente o seu gosto que define.

      E quanto ao que disse acerca dos filhos, primeiro que é impossível que dois filhos tenham uma criação exatamente igual, isto é, estudar com os mesmo colegas, ter os mesmos amigos, e outra que não adianta, os pais sempre tratam cada filho de uma maneira diferente, existem os chamados de "xodós", enfim as mimas são sempre desiguais, sem contar com a diferença de idade entre irmãos, onde o mais velho acaba assumindo outras posturas, como a de cuidar do mais novo na ausência dos pais. Ademais, eu conheço irmãos que sejam diferentes entre si, mas não a ponto de serem "opostos" como colocou, aliás, você conhece algum caso de que as personalidades sejam totalmente "opostas"?

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    4. Olá Anselmo,

      Concordo que Elton John tocava piano desde os três anos de idade porque lhe deram um piano com essa idade, mas discordo que ele se interessaria por qualquer coisa que lhe dessem aos três anos. Por outro lado, conheço crianças que apesar de terem recebido um piano em tenra idade jamais se interessaram em tocar piano.

      Concordo também que apesar de os pais serem um exemplo igual para os filhos, estes acabam tendo experiências de vida diferentes devido às diferentes interações das quais participam.

      Quanto a conhecer casos de irmãos cujas personalidades sejam totalmente “opostas” eu conheço alguns casos e cito aqui um exemplo. Em uma família muito rica que conheci um dos filhos era tão obcecado por dinheiro quanto o pai, enquanto o outro não ligava para dinheiro e vivia de modo bastante simples.

      Cito aqui outro exemplo, mas deste eu não conheço os protagonistas. Ele é citado no livro “Trajetória de sucesso” de autoria e Delair Zermiani. É o seguinte:

      “É pouco conhecida entre nós uma história clássica entre os americanos: a de um pai, bandido, que morreu e deixou dois filhos. Um saiu igual ao pai, ‘cuspido e escarrado’, como diriam alguns, um criminoso idêntico ao pai; e o outro, um empresário bem-sucedido. É claro que isso despertou a curiosidade de alguns estudiosos do comportamento. Então, foi dirigida aos irmãos a mesma pergunta: ‘O que o fez ser o que você é?’. O primeiro, bandido, respondeu: ‘O que você queria que eu fosse tendo um pai como o meu?’. Ok, resposta anotada. E compreendida, visto que o menino cresceu num ambiente tumultuado, sem grandes valores, e presenciou muitas cenas que o conduziram a ser assim. O pai foi um modelo a ser seguido. O segundo filho, pessoa honesta e bem-sucedida, quando indagado , deu idêntica resposta: ‘O que você queria que eu fosse tendo um pai como o meu?’. Estranho não é?”

      Um viu no pai um modelo a ser seguido; outro viu no pai um modelo a ser evitado. O resultado foi que os dois filhos tornaram-se “tão diferentes a ponto de serem opostos”.

      Roberto Crema diz que “Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros”. Concordo que o assunto da postagem seja polêmico, mas é, justamente, o aprendizado para lidar com as controvérsias surgidas nos encontros (ao vivo ou virtuais) que possibilita que consigamos trocar diferentes conhecimentos (adquiridos através de diferentes experiências de vida), e dessa forma nos tornemos pessoas melhores e aptas a conviver harmoniosamente.

      Abraços,
      Guedes

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    5. Caro Anselmo!

      Estás completamente defasado nesta sua resposta! Vai me dizer que nunca viu a Rute e a Raquel??? rs Brincadeirinha! Sua defesa é muito bem formulada, admito, mas ainda fico incomodado. Espero que isto não estrague nossa amizade. Que não se pense que aqui entro só para contestar!

      O fato é que continuo vendo um problema semântico na coisa toda! A substituição de "inclinação" por "gosto" não me parece elucidar o caso.

      Realmente, temos aqui um assunto bastante polêmico! Mas deixemos isto para outro post! O que o senhor acha de criar um sobre como pensas que se formam os gostos e inclinações?!

      Que a Força esteja com todos!

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    6. Veja, de fato um menino não pode se interessar por absolutamente tudo, o que quis dizer é que o piano fora meramente por acaso, afinal não temos garantia nenhuma de que ele sequer desenvolveria gosto pelo mesmo se a família não exercesse esta influência sobre ele. Agora, isso só seria contestado se caso o menino Elton aos três anos houvesse requisitado de forma emancipada e espontaneamente um piano. Isto é, sem sofrer influência externa.

      Relativo ao caso dos irmãos que conheceu, você citou apenas uma característica em que há disparidade que, no caso é a avareza de um, ao passo que o outro não é tão apegado ao dinheiro, tudo bem que eles sejam diferentes neste aspecto, mas e nos outros aspectos será que eles também são “totalmente opostos”? Afinal, para serem “completamente opostos” eles deveriam divergir em tudo. Daí a razão pela qual eu não conheço e creio que jamais conhecerei, tendo-se em vista de que é raríssimo para não dizer impossível que, dois irmãos ou quaisquer pessoas discordem em absolutamente tudo.

      Valha-me Deus! É preciso explicar tudinho. Olha Guedes, é desnecessário que eu continue a fomentar o assunto, visto que o que penso já está descrito no texto com imensa clareza.

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  4. Boa tarde, Anselmo.
    Esse assunto é bem interessante; muitas pessoas dizem que tenho "talento" para criar diálogos, no entanto, eu não nasci sabendo.
    Meus textos são fruto de tudo (incluindo aquilo que aprendi inconscientemente) que li, vi, questionei e durante a vida toda; se isso é talento?
    Eu chamaria de esforço maximizado de forma inconsciente e não talento.
    Acho que todos nós nascemos com predisposição genética para determinadas funções, se formos utilizá-las ou não é uma escolha nossa.
    E o termo "artista" não quer dizer nada, já que hoje em dia qualquer modelo sem cérebro é atriz-cantora-capa de revista, o que nada importa.
    Abraço, Anselmo.

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  5. Salve man! Já li alguns textos de sua autoria aqui no seu espaço e este é o que mais gostei, pois exprimiu uma visão similar a minha...
    Um modo de pensar adverso que pouquíssimas pessoas possuem por se aterem demais ao senso comum ou ouvirem demais o que outras pessoas dizem, sem subordinar as informações a um escrutínio; como crianças bem tenras que acreditam nas fábulas a elas contadas.
    Está de parabéns, uma crônica bem construída, com argumentos sólidos e um toque peculiar na narrativa...
    Valeu, até mais.

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  6. OLá Anselmo , boa noite!

    Ai..ai..ai.., eu poderia ler a tua crõnica e sair de mansinho, ou de fininho, sem comentar nada, ( assunto polêmico, e eu sou péssima em lidar com polêmicas), mas pensando bem,porque não haveria de comentar que de acordo com os estudos espíritas, que tenho desenvolvido a mais de vinte e cinco anos,eu poderia dar a minha opinião? O talento inato, nada mais é que a resultante de esforços e exercícios constantes do espírito em muitas existências, em determinada atividade, seja na arte, profissão, ciências, ou qualquer outro talento que apresente.

    Li com atenção, a tua crônica, e em tudo, devo aplaudir a clareza e objetividade que vc abordou o tema. Dentro do teu ponto de vista, sobre "talentos inatos e adquiridos, as suas argumentações foram excelentes...porém,ao meu ver, incompleto! Incomodou-me um pouco, não ver abordado juntamente com um tema tão importante: Deus !

    Dr. Ian Stevenson, Universidade de Virginia, USA, 38 anos pesquisando a reencarnação através do mundo, 2.600 casos documentados de pessoas que alegavam recordar-se de outras vidas. Apresenta inclusive fotos de marcas de nascença que coincidem com a pessoa que alegavam ser.Tom Shroeder, jornalista do Washington Post que acompanhou o Dr. Ian Stevenson em suas viagens de pesquisa da Reencarnação

    Dr. Brian Weiss, renomado médico e escritor americano, pioneiro da TVP (Terapia de Vidas Passadas), tratou mais de 1.300 casos.

    Eu poderia citar outros estudiosos e pesquisadores,em especial o Sr Allan Kardec, que mais do que ninguém, desenvolveu um estudo completo sobre a Alma, e a evolução, através das Vidas Sucessivas. Poderia ter citado cientistas não espíritas, mas que buscam a verdade, mas o comentário está se alongando demais...rsss

    Gostei de participar, do tema, e dos comentários também. Como é um assunto que me interessa muito, voltarei para acompanhar o debate que já se inciciou por aqui...rsss...

    Muito grata pela presença lá no Sementes Preciosas, adorei!

    Bjossss...

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Não sou o "dono da verdade", portanto, estarei sempre disposto a ouvi-lo(a)...