Só falta você!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O suicídio



"Continuar a viver ou não ?". Dados momentos, e por entre razões desditosas, chegamos à esta sentença que coloca a nossa vida em xeque.


Afinal, é compensável viver ? Apesar da questão requerer apenas duas respostas imediatas e opostas por sua vez, eu responderia: talvez. Pois é muito simples dizer "sim" ou até "não", visto que não é só uma pergunta, é uma decisão vital.


Portanto, o previsível "sim" que eu podia disparar, é logo substituído pelo "talvez", que é enturvado pela possibilidade do "não". Então, em vez deu iniciar uma campanha contra o suicídio, respondendo que é claro, absoluta e indubitavelmente compensável viver, eu acho mais adequado dizer-lhe o que penso da sobrevivência.


Pois bem, do mesmo modo que é fácil, também é belo defender a vida com romantismo, porém nós sabemos que viver não é de modo algum coisa simples. Viver é estar suscetível a sofrimentos ininterruptos, mas isso não significa que devemos nos conformar ou que não podemos fazer nada para reverter as situações ruins, isto é, enquanto tivermos vida, teremos condições de lutar. Logo se deduz que se o sofrimento é inerente a vida, batalhar também é.


Reitero meu "talvez", pois antes de mais nada, é bom recordar um detalhe díspar que reside entre o "viver" e o "existir". Quer dizer: embora viver e existir sejam coisas semelhantes, existir não é necessariamente viver. Para se viver, deve-se ir além do simples existir, ou seja, não basta vencer as dificuldades dia a dia, o importante mesmo é ter um escopo, um propósito em sua vida que, por sua vez, dá razão de se viver e não somente existir.


Viver é ser fundamental, é exalar energias, é alterar os meios, incomodar, fazer barulho. Mas não digo que essas coisas devam ser feitas gratuitamente, lembre-se do propósito, com qual finalidade você executa as coisas? Se o jaez de suas atitudes forem generosos, você estará vivendo de verdade. O mundo está aí para ser sacudido por qualquer um, mas antes é necessário desejar viver para sacudi-lo.


Se for para morrer, que seja tentando fazer algo de bem. O suicídio é opção para os covardes, haja vista como fez Hitler. Apenas os sujeitos dessa estirpe que cometem esse tipo de ato.


Contudo, viver nunca foi e jamais será fácil pra qualquer indivíduo, por isso não devemos nos entregar de bandeja. Pois a sua rendição revela o quão fraco, ingrato e estúpido que você pode ser. 


O suicida é um lânguido que não resistiu às adversidades a qual todos nós estamos condenados a sofrer desde o instante em que nascemos. É ingrato porque recebeu a mais ampla dádiva que possa existir e a desperdiçou-a como se fosse um pedaço de pizza velha. E digo mais, depreciar a vida é o cúmulo da imbecilidade, já que sem vida o que poderemos ser? Pra mim, a pessoa que escolhe morrer não merecia ter vivido um só dia, tampouco fará alguma falta. 


Querer morrer é o maior absurdo do mundo. Você já notou a maneira árdua com que as zilhões de vidas brigam incessantemente para sobreviver? Frente a isso, o desprezível que escolhe simplesmente morrer, pratica o paradoxo mais inconcebível de todos.


Estou aqui para ser real. Não criarei ilusões de que a vida é maravilhosa, utilizando de fantasias para lhe convencer a viver, sequer tentarei convence-lo(a), aliás, ressalto que a vida é puramente hostil e injusta, é preciso ter largo apetite de vida para sobreviver todos os dias meu amigo.


Diante o já apresentado, eu insisto no "talvez" como resposta de ser melhor viver ou não, pois isso vai depender da disposição que cada um tem para viver, isto é, se caso você esteja disposto a experimentar as maravilhosas peripécias, bem como os dissabores que brindam com a vida, eu digo-lhe que "sim", viver é compensatório para você e ainda ressalvo que será um enorme prazer aturar conviver com você. Mas do contrário, se você considerar se matar mesmo com a vida imbuída de maravilhas que é, viver "não" é compensável para você.

2 comentários:

  1. Boa tarde, Anselmo.
    A vida não é fácil pra ninguém, por melhor que ela seja, cedo ou tarde a tragédia afeta a todos, já que é impossível viver sem perder alguém amado.
    Desta forma, o suicídio sim é um ato covarde e injustificável, uma saída fácil para quem almeja uma vida fácil.
    Abraço, Anselmo.

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  2. Oi querido Anselmo,

    Tudo bem? concordo que a vida não é fácil e nem sempre há motivação. Todavia, se fosse para aceitar o suicídio, haveria aceitação e, se tudo na vida tem o tempo certo, alterar o tempo é medo e derrota.
    Bela reflexão!

    Bom final de semana!

    Lu

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