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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O esquecer



É impressionante como as coisas vão passando por nossas vidas a uma velocidade estupenda, mormente a quantidade de experiências que vivemos, e somente uma parte disso é mais duradoura, talvez as mais profundas, enfim, estamos todos  suscetíveis a sofrer com a incontrolável evaporação de conteúdos vários que recolhemos e que acabam por perderem-se no ar, convertendo-se em simples reminiscências.  

Diariamente acumulamos informações, é bem verdade que muitas delas não passam de lixo, de qualquer modo, todas elas ocupam espaço em nossas mentes. A sensação que tenho é que assim como os computadores modernos que usamos, nós inclusivamente também possuímos um limite para armazenar dados. Ou seja, se um PC possui um disco rígido com determinada capacidade, a mente humana também dispõe de uma memória limitada.

A questão é que diariamente ao mesmo que arrecadamos também estamos esquecendo as coisas, as cenas às quais presenciamos, os episódios que vivenciamos, as páginas de um livro que lemos nem se fala, enfim, até as dúvidas de português ressurgem.


Concluo, contudo que, a memória humana está em constante ablução. Lições importantes que pelejamos para aprender, são facilmente substituídas pelas próximas da fila. 


Esquecer também aquilo que um dia com veemência pregamos, é chato, ou talvez um indício de que necessitamos rever os nossos antigos conceitos, eis esta uma grande oportunidade de aprimora-los.


Olvidamos muito, é uma pena. Pois se fosse possível poupar tudo aquilo que é aproveitável, conservaríamos o nosso apogeu. Entretanto, assim como o humor, oscilamos também o nosso caráter, haja vista que por vezes esquecemos o bem que antes praticávamos. 


Ter filosofias frescas entre frases prontas à mente é sem dúvida majestoso. Porém, nada como a espontaneidade, surpreender-se consigo mesmo e aos outros, sem necessidade de resgatar nada do fundo do famoso baú, fazendo valer o inusitado.


Embora seja natural, eu ainda receio esquecer as coisas, eu gostaria muito de poder evitar isso, aumentando a minha capacidade memorial como mencionei acima, e preservar tudo aquilo que for de bom para si.

Por fim, resta-nos se conformar com os inevitáveis lapsos de nossas memórias que vierem a ocorrer conosco. Mas eu ainda acredito que o esquecimento seja útil para fazer o ser humano reaprender sobretudo a sua humildade, ou seja, admitindo o que não sabe mais e a tolerância, exigida para que se aprenda o mesmo novamente.


Pois bem, então aqui estou eu completando mais este texto, cujos sentimentos esquecíveis meus, ao menos foram descritos antes que eu os esquecesse de disserta-los.

5 comentários:

  1. OLá Anselmo, boa noite!

    Interessante a sua dissertação sobre a questão da velocidade do tempo em nossas vidas, nossas experiências caindo no esquecimento, como que uma evaporação de conteúdos. Também tenho essa impressão. Aliás, o tema "tempo", se eu for analisar com profundidade, me causa até vertigens, só de imaginar que a velocidade com que eu penso a vida não é necessariamente a mesma com que a vida acontece. Com certeza, não seguimos o mesmo compasso. As coisas mudam rapidamente a nossa volta, e bom seria que não nos apegássemos a conceitos rígidos para a manter a esperteza para mudar de atitude de forma imediata.
    Creio que nossas experiências,aprendizados, informações até mesmo aqueles aos quais não damos a mínima importância, não se perdem. Seriam armazenados em um compartimento de uma área do cérebro que poderia ser considerado um "arquivo" bem dinâmico, pois, segundo estudos de Carl Gustav Yung, essas vivências armazenadas, na verdade, são as que nos determinam o comportamento, e dirigem as atitudes e escolhas na vida. Então, nesse raciocionar, o ideal seria que tivéssemos vivências mais positivas e saudáveis, para que nossas ações tivessem a correspondência exata.

    Te admiro muito Anselmo pelas abordagens de temas que muito tem a ver com a nossa vida diária, nos levando à reflexão sobre nós mesmos, e de uma forma simples, bem escrita, que eu gosto muito. Muito bom, Anselmo!

    Excelente quinta feira pra todos nós!

    Bjosssss

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  2. Boa tarde, Anselmo.
    O processo pelo qual adquirimos conhecimento é um tanto quanto paradoxal; nós aprendemos algo novo, esquecemos parte disso e seguimos continuamente aprendendo e esquecendo, já que não temos espaço para guardar tudo.
    Acho que não temos controle sobre aquilo que esquecemos, acho que isso ocorre automaticamente.
    Mas desde que não deixemos nunca de aprender coisas novas, tudo bem.
    Abraço, Anselmo.

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  3. Oi menino lindo,

    Tudo bem? Já não me questiono sobre o que esqueço e o que não esqueço, pois só descobro o sentido depois de um tempo. Certas lembranças servem para o crescimento, reflexão e até a volta por cima. Assim como certos esquecimentos nos permitem um momento de trégua com o stress diário. Talvez o que não queira é ficar como na música de Roberto Carlos: esqueci de tentar te esquecer..

    Sei que não controle, mas há sim vontade de apagar e quando tentamos, conseguimos aproveitar parte do dia e, aí já é válido o dia seguinte.

    Como sempre, encantando.

    Beijos e cuide-se!

    Lu

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  4. Anselmo, tudo bem?
    Muito bom teu ensaio sobre o 'esquecer'. Dizem que a memória é seletiva. Mas porque nos lembramos de tanta besteira e, por vezes, esquecemos de coisas mais importantes?
    Mas também acho que o cérebro funciona em compartimentos, e acontece, não raras vezes, de parecer que já conhecemos alguém, ou vivenciamos alguma situação, ou mesmo um texto que nasce do 'nada' e toma corpo como se tivesse baixado um santo:) Acho que tudo isso é memória.

    Agora... se formos ver a outra, a 'memória do povo', aí meu amigo... estamos mal. Ou não seria o Collor a ser votado de novo, e outros tantos sem vergonhas, para não dizer outra coisa. Ou mesmo as pessoas que dizem, e ainda ouço: 'na época da ditadura era melhor'
    @#$%&*... sem comentários, né?

    Beijos! Parabéns pelo brilhante texto!

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  5. Olá meu bom amigo Anselmo!

    Perdoe-me por não ter passado aqui antes para dispensar minha atenção e devida honra a seus escritos e blog...

    Faço-o, contudo, agora, desde já lhe agradecendo o carinho e respeito (algo que também sinto em grande escala em relação a sua pessoa).

    Portanto, fica aqui o meu sincero apreço...

    Agora, suas construções literárias...

    Cada texto que leio aqui no Central enriquece minha cosmovisão, dando o que pensar durante horas, e isso é bom, vc bem sabe, pois influência.

    Além de possibilitar novas idéias, abrindo margem para a inserção de novos elementos para criações...

    Outros autores deveriam apreciar mais esse conceito.

    Obrigado irmão, pela visita e belo comentário deixado lá no Mente...

    Abraço e boa sorte!!!

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Não sou o "dono da verdade", portanto, estarei sempre disposto a ouvi-lo(a)...