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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A pressão popular


Na sociedade acabamos sofrendo pressão social o tempo todo no que se refere a nossa pessoalidade. A questão é: até quando agimos sob pressão popular? 


Tão intenso quanto a coação que a sociedade nos impõe, é demasiada também a sua intolerância, o seu preconceito, o seu conservadorismo. 


De acordo com os preceitos da nossa sociedade não seríamos desiguais, quereríamos sempre as mesmas coisas, seguiríamos a risca o perfeito trajeto de início, meio e fim. É por isso que a sociedade instaura uma forma de opressão sobre cada um de seus componentes, ditando o que deve ou não ser feito. Sumariamente ela atropela as nossas preferências, os nossos sentimentos. Contudo, não podemos ceder a pressão que ela grosseiramente nos coloca, pois se não resistirmos, estaremos deixando de ser o que nós somos de verdade, o que nós viemos ser. 


A sociedade humana é morbidamente invasiva e inflexível. 

Por mais que alguém a mereça, a vaia generalizada é muito cruel contra um só indivíduo, ela é de uma covardia tremenda. Essa crueldade está no mesmo nível do ato de isolar um sujeito.


É evidente que, é muito árduo abarcar toda essa pressão, já que exatamente por se tratar de uma sociedade, ela é enorme demais para uma única pessoa. Tendo em vista a injusta batalha, normalmente sucumbimos ao tentar combatê-la e acabamos ignorando as nossas características para acatar o que a sociedade exige de nós.

Raras são as pessoas dispostas a enfrentarem a opinião pública. Virtuoso é quem faz algo sem se importar com a aceitação das demais pessoas. Pois é preciso muita coragem para expor a cara para a população sabendo-se que está correndo um risco iminente de sofrer uma dura bofetada nela. 

Não é fácil como dizem ser, simplesmente ignorar o que as pessoas comentam ou murmuram sobre você, afinal ninguém quer ser odiado. Nada como se sentir querido pelos outros.


Agora, como saber até quando estamos agindo com pressão sobreposta? Quando determinada escolha que você toma não condiz com o que você realmente gostaria, ficaria mais à vontade, significa que você está agindo sob pressão social. Logo, pode-se afirmar que todas as medidas que partem de dentro de nós e vão até o contexto social, estão fatalmente vulneráveis às repercussões que possam receber. Isto é, as ideias originais que produzimos são corrompidas para se adequarem ao modelo social, transfigurando-se em relação ao que eram inicialmente.

A pressão popular é culpada por tanta encenação entre as pessoas. Logo, pode ser tranquilamente afirmado que a hipocrisia é o principal derivado da pressão popular.

3 comentários:

  1. Menino mais que lindo, aliás, inteligente, amigo...

    O filme Tempos Modernos em uma perspectiva histórica e ideológica também, já coloca em questão o capitalismo e o liberalismo. A sociedade do controle já estava ali no meandros da industrialização. E o que pensar em um momento que há crise no capitalismo?

    Todavia, não entendo que a intervenção maior do Estado vai reduzir a pressão, pois tenho medo de ser um figurante de Laranja Mecânica. Penso que temos que aprender a sobreviver no capitalismo, se posicionando pelo conhecimento acumulado e demostrando caráter frente a pressão alienada que inibe a dignidade humana.

    Procure o filme a Guerra do Fogo que apresenta a pressão entre dois grupos de hominídios, nomandes na pré-história. Gosto de passar em minha aulas para discutir estratégia.

    Mas os documentários do Michel Moore, entre eles The Corporation e Capitalismo: Uma História de Amor são interessantes para essa discussão.

    Beijos lindo!

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  2. Anselmo, tudo bem?
    Perfeitas as tuas colocações!
    Penso que devamos ter um grande senso crítico, porque muitas vezes sucumbimos a pressão popular sem mesmo nos darmos conta, mesmo que saibamos que existe a pressão popular, mas inseridos na sociedade, no contexto: família, trabalho, etc..., é mais fácil nos deixarmos iludir, e mesmo para quem desenvolve leituras críticas das coisas, às vezes até por motivos emocionais, acabamos cedendo sem nos darmos conta. Pois pontos fracos, manias e paixões todos temos, exemplo: futebol hehe
    Ótimo! Estou gostando muito de te ler!

    Beijos, queridão!

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  3. Olá, Anselmo.
    Também acho que é muito mais fácil simplesmente nos deixarmos levar pela pressão popular, mas temos de fazer aquilo que queremos, o que muitas vezes entra em conflito com o conservadorismo e hipocrisia vigentes na sociedade.
    Vivermos de acordo com nossa vontade requer força de vontade, perseverança e vigília constante.
    Abraço.

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Não sou o "dono da verdade", portanto, estarei sempre disposto a ouvi-lo(a)...