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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Alimentando-se de ideias


Da mesma forma que Sócrates em suas andanças disparatadas pela Grécia Antiga, mais especificamente na cidade-estado de Atenas, onde o sábio indagava com questões filosóficas as pessoas que surgiam ocasionalmente em sua frente, eu identifico-me muito com essa ação.

Se Sócrates se dizia parteiro das ideias das pessoas, isto é, um intermediário entre o saber e os indivíduos, eu particularmente me sinto também sobre essa linha tênue, talvez por minha paixão ao pensar, a reflexão que, diga-se de passagem, não me foi necessário um mentor real, se não os dos próprios livros. Logo, confirmo que não é possível fabricar filósofos feito enlatados, o que somente pode haver é um processo de auto-formação.

Eu sou um sobejo defensor da ideia de que as pessoas são todas elas interessantes, embora os indivíduos inteligentes sejam mais atraentes, eu diria que até o mais ignorante de todos sempre tem algo a oferecer, isso é irrefutável. E pela razão de tanto eu como Sócrates, valorizarmos as pessoas como elas merecem, muitas vezes acabamos caindo em subestimação, exata e paradoxalmente por parte das próprias pessoas às quais dedicamos o nosso respeito, isso fica clarividente quando as atabalhoadas pessoas do mundo moderno dizem comumente: "outra hora conversamos", ou "outro dia", sem esquecer aquele: "desculpe, mas estou sem tempo agora", ou até de modo mais áspero como o "eu tenho mais o que fazer". Enfim, até Sócrates sofreu com isso em seu tempo, e hoje em dia isso só piorou. Mais do que nunca, instaurou-se a cultura do "Eu tenho mais o que fazer".  

O fato é que as pessoas adiam as conversas filosóficas devido ao fato delas serem pragmáticas demais. Por essa razão que elas veem o mundo de modo tão leviano, simplório e desleixado.

A minha identificação com quem é nada menos do que o principal filósofo já existente, não se reduz até aí. Quero dizer que Sócrates ao abordar abruptamente os seus concidadãos atenienses, significa antes de mais nada que ele buscava retirar algo das pessoas para si, como se fosse alimentar-se delas. É por isso que ele se esbaldava de comunicação, não obstante, eu também adoro interagir com gente. Portanto, assim como ele, eu sinto fome de pensamentos. 

Assim como o filósofo ateniense, eu sou capaz de passar horas conversando e só me dou conta quando sou interrompido pelo ruído estomacal do apetite, daí maquinalmente imagino que os colóquios poderiam também nos fornecer fibras alimentares suficientes para nos manter vivos. Ah, mas infelizmente a natureza não funciona assim. 

Pode ser que seja um tanto quanto pueril a minha idiossincrasia, enfim, eu sou assim mesmo, não permiti sucumbir a criança dentro de mim. De modo que a minha perspectiva deflagrou a questão de consumir ideias, imagine você como seria se os seres humanos ao invés de comida, alimentassem-se de ideias? Seria maravilhoso!

Um comentário:

  1. Olá , boa noite meu querido filósofo Anselmo!

    Eu diria, então, que temos em comum essa mesma fome de idéias, e de se alimentar de conversas, de leituras, da observação do cotidiano. Pena que não tenho a facilidade que você tem, em expor pensamentos tão bem articulados que vejo nos seus textos, porque meu blog teria outra temática.Exercitar-se na filosofia é um alento, nesse mundo onde tudo é visto sob o prisma das aparências, do imediato, da inversão de valores. E, buscar em suas fontes a água viva do pensamento,que mata a sede da alma, é um prazer imensurável, porque nada escapa ao interesse da Filosofia, porque ela visa o todo, à totalidade.

    Quando num grupo, expressa-se pensamento como este,até meio poético, surge a pergunta desdenhosa: "onde está a necessidade da filosofia?" E , em seguida muda-se de assunto, e vira-se o rosto, sem se aperceber que ali realizou-se um ato filosófico, e como todo indivíduo prático, encarcera-se em seu desinteresse pela transcendência humana. Não sabem que a filosofia é movimento, pois o mundo é movimento!

    Nossaa, como sempre, um comentário imenso...mas creio que você perdoa a Lu..aqui, por esse desatino de escrevente! rsss...

    Gosto de você, e de vir aqui filosofar no teu Blog!

    Que tenhamos todos, uma semana cheinha de alegrias e felizes realizações.

    Beijinhos filosóficos, da Lu...

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Não sou o "dono da verdade", portanto, estarei sempre disposto a ouvi-lo(a)...